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sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

A INCRÍVEL HISTÓRIA DA MULHER DE AÇO

Ali estava eu, uma mocinha feliz e saltitante, na porta de uma agência bancária numa manhã desgraçadamente quente de segunda-feira (o feliz e saltitante se devia unicamente ao fato de ser o dia de receber o meu tão suado salariozinho). Agência bancária na primeira segunda-feira do mês é o inferno na Terra, mas não tive escapatória porque, só pra fazer jus à minha sina de protagonista de acontecimentos bizarros (e eu confesso que se pudesse começaria a recusar alguns scripts, mas o urubu que eventualmente caga na minha cabeça ainda não desistiu de me utilizar como “WC”), na sexta-feira o meu cartão tinha sido ENGOLIDO sem a menor cerimônia por um caixa eletrônico. Então, depois de passar o fim de semana na lisura total (praticamente no ponto de passar a sacolinha na porta da igreja), eu podia estar roubando, eu podia estar matando, mas eu estava ali na porta daquele banco (tão lotado de gente quanto o fróis do meu urubu particular vive lotado de caca, diga-se de passagem) tentando criar coragem pra entrar e receber o meu dinheirinho honestamente...

Como não tinha mesmo outra alternativa, entrei. Achei um cantinho pra me encostar e abri a bolsa. Saquei o molho de (infinitas) chaves, a porta-níquel abarrotada de (infinitas) moedas, isqueiro, espelhos, celular, calculadora e todas as coisinhas douradas e prateadas que pudessem me fazer ficar retida pelo detector de metais da porta giratória, pus tudo na gavetinha e... PIIIIIIIIIII!!! Aff... será que havia esquecido de tirar alguma coisa??? Lá volto eu com cara de tacho pro purgatório... Mas o pior, o pior MESMO, ainda estava por vir.

- Tire todos os objetos de metal, senhora.

- Já tirei, moço.

- Celular, isqueiro, moedas... (putz, tenho cara de quem nunca passou por uma porta giratória ou de quem ignora que a função do detector de metais seja detectar METAIS???)

- Tirei TUDO, moço. Tá vendo ali a gavetinha? Tá tudo lá.

- Tirou o celular? Moedas?

- Moço (respirando fundo, contando até dez, entoando um mantra em pensamento e tentando me convencer de que o segurança tinha Alzheimer, única justificativa para repetir aquela pergunta em MENOS DE 30 SEGUNDOS), se quiser pode olhar na minha bolsa. Mas apressa aí o negócio porque eu realmente preciso entrar.

- Tem certeza de que não tem mais nada? – e tive de ser guerreira pra segurar a vontade de dizer “ok, você me pegou, na verdade tenho tara por portas giratórias e só vim aqui porque estava muito a fim de matar um dia de trabalho pra ouvir o barulhinho do detector de metais”... pra não falar besteira e piorar o que eu achava (até aquele momento) “impiorável”, abri a bolsa, tirei o que mais havia nela (carimbo, clipes, fivelas de cabelo, lixa de unha, CDs, canetas... só deixei o absorvente porque aí já seria demais), olhei pro Alzheimer e disse: TENHO.

- Positivo (só se fosse pra ele, pra mim estava tudo muito negativo!!). Então a senhora pendure a bolsa aqui nessa maçaneta e pode passar pela porta, e assim que tiver passado pode retirá-la.

Se era assim... dos males o menor, pelo menos eu poderia entrar e dar um basta na minha penúria. Pendurei a bolsa na tal maçaneta e... PIIIIIIIIII!!! Fiquei retida no detector de metais!!! Enquanto todo mundo me olhava com aquela cara de “what the poha is that” (olha aí a Anne fazendo escola!!) eu tentava descobrir que diabos havia no meu corpo que não passava na maldita porta. Platina? Não. Aparelho dentário com poderes titânicos? Não. Marcapasso? Não. Nanochips? Não. Lata d’água na cabeça? Não. Um filho do Wolverine? Não. Uma bunda de aço? Quem dera!! Uma pinça esquecida durante a cesárea? E quem disse que eu fiz alguma cesárea???

- Olha, moço. Esse vestido nem tem bolso. E eu REALMENTE preciso entrar aí, entende? Custa aliviar? Se eu estivesse disposta a fazer uma chacina no banco, não teria vindo com esse modelito primavera-verão... – E ele continuava me olhando (Alzheimer, sabem como é). Não agüentei e soltei um “Ah, moço, qual é, olha pra mim, ONDE VC ACHA QUE EU ESCONDERIA UMA ARMA???”, e ele fez uma cara bem sugestiva do tal lugarzinho que estava imaginando... foi quando os anjos tiveram piedade de mim e sopraram no meu ouvido “DÃÃ... O BRINCO, NÉ??” Eram brincos de aço inox... tirei os ditos-cujos desesperadamente das orelhas, joguei na gavetinha e inacreditavelmente... PASSEI!!!

Resumindo o que se passou depois, catei meus bagulhos da gavetinha, joguei dentro da bolsa e passei como um furacão pro caixa, agora mais por vergonha do que por pressa propriamente dita. Na saída olhei com o rabo do olho pro Alzheimer... e, pela cara dele, ainda estava pensando no tal “esconderijo” (e vocês podem imaginar qual era a “arma” que ele estava pensando em esconder, que horror!!)... enfim, passei a ter mais cuidado com essas máquinas engolidoras de cartão. Quanto ao urubu cagão, bem... quem disse que depois disso ele me deu férias?

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Como Ser Uma Masoquista Virtual em 10 Lições


ADVERTÊNCIA: Esse post foi escrito por mim, Flávia, e pela Anne, totalmente construído a 4 mãos. Para os adeptos do namoro virtual, calma! É apenas uma brincadeira que, em alguns casos, vira uma cruel realidade... No mais, relaxem, aproveitem, soltem as suas gaitadas e comentem à vontade, a casa é sua!

LIÇÃO 1:

Acredite em qualquer doido internético que apareça dizendo que você é a mulher da vida dele. Principalmente quando ele morar a 484856869795 km de você (ou mais).

LIÇÃO 2:

Largue a sua vida, seus amigos, seus programas e deixe a periquita voltar a ser virgem, tudo em nome do grande amor da sua vida... aquele da internet que mora a 484856869795 km de você (ou mais) e provavelmente mete o pinto em todos os buracos possíveis (se bobear, traça até os tijolinhos).

LIÇÃO 3:

Depois que a periquita voltar a ser virgem, se certifique que seu eleito tem 436485678745767 amigas empenhadas 24 horas por dia em convencê-lo do quanto ele tem approach. E mais: ele PRECISA falar disso com você, afinal doido que é doido faz isso - e masoquista que é masoquista não será completa o suficiente sem este item.

LIÇÃO 4:

Acredite fielmente quando o maluco disser que ama você e recuse-se a ver os ataques de grosseria e as agressões que ele praticar com a sua resignada pessoa, só pq ele está na TPM e resolveu ser um filhadaputabocadefronha e falar merdinhas ao seu ouvido, no péssimo sentido.

LIÇÃO 5:

Quando você finalmente decidir dar um basta e terminar a relação, faça num momento de fragilidade extrema para que ele te convença que VOCÊ é a doida. Acredite piamente que você está vendo chifre em cabeça de cavalo (e não na sua) quando ele disser que as amigas são apenas criaturas carinhosas e assíduas, e que ele só tem olhos para você. Se não acreditar, finja. Quando estiver na iminência de fraquejar e de recuperar seu amor-próprio, vá até o muambeiro da esquina e compre o CD do MC-sei-lá-das-quantas, aquele do "um tapinha não dói". Ouça em volume máximo até isso penetrar na sua mente como uma verdade suprema. Afinal, quer ser masoquista ou não?


LIÇÃO 6:

Sinta-se péssima, chore, escute todas as músicas de corno, aquelas doloriiiidas... é realmente importante que você definhe, se acabe, fique se torturando ao máximo imaginando o quanto você foi insensível e o quanto deixou de entender as necessidades daquele bofe maravilhoso, daquela perfeição em forma de gente (mesmo que você nunca tenha visto a cara dele, seria uma jumenta se duvidasse de que ele é um príncipe!!). Lembre-se sempre, é você que é uma desgraça ambulante - ele é o Senhor Perfeição, um verdadeiro Mr. Loverman dos trópicos, aquele que nem fede, nem acorda descabelado, caga cheiroso e está sempre perfeito. Aí, quando ele insinuar aparecer na sua vida novamente, corra e se jogue aos seus pés, pedindo perdão por você ser uma completa besta!

LIÇÃO 7:

Lembre-se - você não tem competência nenhuma para arrumar um namorado. Você é inferior. A sua periquita merece ficar em estado permanente de hibernação. Você tem que levantar a mão pro céu e agradecer por alguém ter te dado uma colher de chá.

LIÇÃO 8:

Ponha na sua cabecinha de uma vez por todas que você só fala merda. Portanto, antes de ser cruel e injusta com o homem que te salvou do encalhamento, antes de entupir os delicados ouvidos dele com as suas cobranças e lamúrias, conte até 10 (50 vezes se for preciso) e engula esse monte de “shit” que você está pensando, sua maluca neurótica!! Indigestão e mau-hálito intelectual são infinitamente melhores que ficar sozinha.

LIÇÃO 9:

Você não é melosa?? Não poooooode!! Masoquista que se preza tem que ser meloooosa!! Não se esqueça de mandar 92387489485 SMS pro celular do "deuso", dizendo que sente a falta dele, perguntando o que está fazendo, e todas aquelas cantadas uó. Envie zil e-mails apaixonados por dia. Mande links fofos e altamente ridículos. Mude o status do orkut para "namorando" e tasque um "meu lindinhuuuu" no campo "paixões". Mude o nick do MSN para "fulano, 'TI' amo pra sempre" ou qualquer outra bobagem EMO escrita no mais puro internetês: "ti dolo, meu anjuu", "bjuxx de mel pro meu amorzinhuu", "Fulana e Fulano prá sempreee S2" e por aí vai... Se tiver um blog, tá esperando o quê pra transformá-lo em "diário de uma paixão"?? Poste sem parar, uma declaração por dia. Se tiver sorte, ele quando muito comentará algo diretamente com vc, pq apesar de ser o cara em que mamãe passou açúcar, ele é muito discreto... se não, transforme-o em muro das lamentações - choradeira sempre é garantia de audiência e vc vai bombar no Google!!

LIÇÃO 10:

Quando finalmente conseguir se libertar - ou porque encontrou um restinho de vergonha-na-cara escondido debaixo da unha do dedão do pé ou porque o Mr. Loverman resolveu, num instante de compaixão, assinar a sua alforria, chore, sofra, se blasfeme, arranque pentelhos com a pinça de sobrancelha, corte os bicos do peito... depois respire fundo e repita para vc mesma que ele, afinal, não é o único homem sobre a face da terra. CORRA PARA A INTERNET E ARRUME OUTRO, ORAS!! Há muito maluco por aí, um deles há de ser o seu!!


*Imagem by Google


quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Torre de Googlebel


Um dia desses, conferindo o contador de visitas lá do meu blog pessoal, me aventurei na seção dos buscadores – aquelas palavrinhas que a galera digita no Google e que acabam trazendo o povo até o blog, sabe-se lá por quais motivos, porque o Google tem razões que a própria razão desconhece. Tá certo que o nomezinho pretensioso do blog pode até fazer alguém pensar que por lá nós realmente temos as respostas para todas as perguntas, mas há coisas que nem eu, nem o Google, nem a Super Nanny, nem o Walter Mercado (ligue djá!), nem o Babalorixá Vandergleidson de Ogum sabemos. Foram tantas pérolas que seria uma afronta guardá-las só para mim, por isso reuni as melhores (ou piores, dependendo do ponto de vista) nesse post totalmente atípico – dividido em seções na tentativa de organizar o inorganizável. E, para fomentar a integração entre os meus queridos vizinhos e a galerinha que nos presenteou com tanto talento, convido todo mundo me ajudar na difícil tarefa de escolher o Top of the Tops... Boa votação a todos, e divirtam-se!


O FANTÁSTICO MUNDO DE BOBBY:

Vida ã media rã (hã??)Palhaço muito amor de beijos (????)O clip dela ah a casa se move (isso é uma pergunta? Clip de quem? Que casa se move? Oh, céus!!)Coca cola e vc sabe coisa bebe (Cuma??)
As boas meninas vão para o CÃO (como sou uma menina boazinha, espero que tenha sido só erro de digitação...)
Os fatos são sonoros o que importa (????)
Translate eu sabia que nesse mato tinha cachorro (translate mesmo, porque eu não understood nada!!)
Se ARGUEM quiser tirar de mim algo (Minha santa protetora do português assassinado... “arguem” não faz nada, portanto não fique rebelde)
E eu nem preciso usar palavras simples (e eu nem preciso entender o que você quis dizer, mas tudo bem, xapralá...)
Mas que audácia (é merrrrmo!!)

LOST:

Oi cadê vc Anne o ignorante (hahahahaha!! Alguém enternecido com a “delicadeza” da minha maninha, será???Perguntando assim, com tanta delicadeza, quem sabe a Anne utilize com você todo o seu charme e simpatia...hahahaha)
Dona Mila Cabeleireiras (hahahahha, Mila, é com vc!)
Orkut do Val de Severínia (Val de Severínia??? Isso é um código???)
Renatinha Buriti (nunca vi mais gorda... é algo como uma Bruna Surfistinha?)
Blogo de “Falvinha” (eu “MÊLMA”)
Minicontos perversos (blog errado, colega, o point do Gustavão fica dobrando a esquina)
Clara Lispector (sem comentários... será parente?)

ENIGMAS DA HUMANIDADE:

O que acontece quando o solo abre (fica em cima dele que você descobre rapidinho... será que os Gremilins moram no centro da terra?)
Como se defender de vampiros (se não pode vencê-los, junte-se a eles, ora! Ou você pode juntar-se a um ônibus de sacoleiros e comprar alguns perfumes bem paraguaios, garanto que ninguém se aproxima do seu pescoção, nem com reza braba)
Efeitos colaterais da amora (jura que existe isso???A Anne já me disse que a pêra dá uma reação estranha no corpo dela, mas amora???)
Por que meu monitor está com um sinal estranho (e eu é que sei???)
How happy is the blameless (I have no idea…)
Como é que eu descubro uma identidade (bom, se você fala de documento, procure uma delegacia, mas se for de identidade sexual ou pessoal, ask pai Freud... ele explica!)
Forma do limbo da costela de adão (tem um limbo lá?)

SÃO TANTAS EMOÇÕES...

Como farei para sensibilizar quem amo (se descobrir, please, não esqueça de voltar aqui pra me contar!)
Ando viciado “della” será que é paixão (ella deve ser bella e singella como berinjella na panella)
Nil traindo (não tenho nada a ver com isso)
Nós traímos e desejamos recomeçar (ok, quase me levaram às lágrimas. Eu recomeçaria dando um belo dum pé na sua bunda)
O vida, fui traído em latim (chifrudus est. Já dizia aquele velho ditado latim: “refrescarum anum patunum, lacoa est...)
Dating quero te conhecer (uh, assim eu não resisto...)

“CEREAL” KILLERS:

Mas que coisa você vive ainda (pois é, eu sou brasileira e não desisto nunca. Experimenta chamar a Anne assim de velha na cara dura, quero ver se você sobrevive)
Como matar um gato sem dor (Dona Chica admirou-se do berro que o gato deu?)
Animais que vivem bem em água quente (e pedimos encarecidamente que você não tente descobrir isso na prática)

WISH LIST:

Mulheres malvadas gigantes (esse é corajoso)
Baixar a música o amor quando virá (agora vamos tentar o e-mule?)
Belas formas de escrever a palavra flor (eu juro que só conheço uma)
Clonar IP (que é isso, rapá, a gente é pobre mas é honesto!!)
Aprender a usar cocaína na veia (tenho cara de quem ensina isso???)
Somente fotos da matinta pereira (aí vc me ofendeu!!!)
Quero uma resposta filosofia até que (nem um “por favor"?)
Vodus (e tu vem procurar isso aqui??)
Fotos de capturados pelo BOPE (pede pra sair, pede pra sair!!)
Periculosidade do boto (certamente perigosíssimo, com todo aquele cor-de-rosa, pode cegar alguém)

SAFADEEENHOS...

O beijo do highlander (ui... essa fantasia eu não conhecia... mas certamente é um beijo imortal... who wants to kiss forever?)
Gozada feminina (nossa classificação livre deve ter sido uma decepção)
Amadoras famintas (blog errado reoladed )
Gozada animal (blog revolution )
Gozada poderosa (blog errado – tá de sacanagem, né? Esse cara é tão aficionado em gozadas que, com certeza, nunca viu uma ao vivo...Alguma leitora interessada em prestar serviço comunitário??)

segunda-feira, 14 de julho de 2008

Caverna do Dragão

Não, esse não é um post sobre desenhos animados. Mas tinha uma caverna no meio do caminho, no meio do caminho tinha uma caverna...
As aulas práticas de urologia da faculdade eram realizadas em pequenos grupos de oito alunos cada. E eu era a única mulher do meu grupo. E o mais perto que havia chegado daquele lugarzinho “entrebundas” era ter trocado a fralda do meu primo, na época em que ele não falava, não andava e não tinha o “olho de Thundera” peludo... nunca gostei de botar a mão nas coisas dos outros – ainda mais quando dessas coisas saem outras coisas desagradáveis. Em suma: eu sempre dava um jeito de escorregar do “serviço” – ficava de papo com o profi e abocanhava todas as consultas, enquanto os rapazes faziam o serviço pesado. E o profi gostava tanto de falar que chegava e já me procurava pra contar as novidades... acho que o que estragou meu plano foi a intimidade...
O paciente entrou e, mal sentou, o profi gritou lá de trás “esse é da doutora, moçada”... e logo estávamos só eu, o profi e a “vítima”... chegou a hora do exame físico e o profi olha pro rapaz dizendo pra ele baixar as calças e se debruçar na maca. Eu, calada, constrangidíssima, mas com a maior estampa de profissa (ou, pelo menos, tentando manter, já que a situação, embora ridícula, exigia isso) pensando na melhor desculpa pra não ter que enfiar meu dedinho na “private area” do moço... e o moço também não tava muito a fim de “interagir” daquele jeito comigo – se debruçou na maca todo travado (como se, ao invés do meu dedinho delicado e inócuo ele estivesse na mira de um tarado tamanho “ui-como-era-grande”)... e foi nessa hora que o profi, impaciente, se achegou ao coitado e soltou a pérola:
- Nãããão, “meu amor” (meu amor????? Eu não precisava ouvir isso!!)... não é assim... relaxa (ahan, como se fosse fácil)... abre beeeeeem as perninhas (e nesse “abre beeeeeem as perninhas” ele literalmente ABRIU com a mãos as duas hemibundas do homem, pelamor, e ficou me olhando com aquela cara de “vem que é tua, Taffarel”!!)... não preciso dizer que não tive escapatória, né? Fechei os olhos, disse mentalmente “ai meu deusuuu” umas 4965089790 vezes, calcei as luvas, me posicionei na cara do gol e fui... ai... o que a gente não faz por uma boa nota... resumindo um pouco a história, terminei meu exame físico (sim, eu aprendi onde fica a próstata) e depois de uma breve conversa (interminável do meu ponto de vista de moça constrangida por ter “desvirginado” a caverna do cara), dispensei o paciente. Fui embora decidida a esquecer aquele “meu amor, abre beeeeeem as perninhas”... e a não ser urologista... já pensou se eu pego gosto pela coisa??? Ui...

segunda-feira, 2 de junho de 2008

A explosão do HTML do mal!!!

Espasmos de Riso Descontrolado de layout novo, que beleza!!! Mas não se enganem pensando que a casinha nova nasceu de uma espontânea sede de transformação. É claro que há uma historinha suja por trás disso e, com certeza, tinha que ter o meu dedinho...

Era uma noite agradável de maio, mais precisamente dia 8, e eu resolvi arrumar o template do Chá, que já fazia tempo que eu queria mudar. Estava eu procurando alguns modelos quando entra Flavinha no MSN e me sugere que eu utilize o blog de teste dela, assim eu poderia arrumar o dito sem estragar o Chá... Pois bem, aceitei a sugestão da minha inteligentíssima amiga!

Só que, evidentemente, a cabeçuda aqui tinha que deixar rabo... Abri o blog teste e comecei a testar alguns templates. Flavinha me chamou, falei com ela, entre uma mensagem e outra no MSN, reabri e continuei alterando, salvei...Foi quando vi no cantinho da tela aquele título “Chá de Sumiço”...gelei! E as pregas, essas vocês podem imaginar, não? Já pedindo aos céus que fosse uma alucinação, abri o blog e olhei...era ele mesmo...TO-DO-FER-RA-DO! Detalhe é que eu não tinha o template antigo salvo...

Mas calma, não foi só isso, já que cagadas (no meu caso) nunca vem sozinhas...

Continuei “arrumando” e, entre mais algumas mensagens, carreguei um modelo novo e pá, salvei, crente que o problema estava resolvido. Foi quando os meus olhinhos (que em segundos viraram olhos esbugalhados) foram cair de novo no cantinho da tela... e o título era... ESPASMOS DE RISO DESCONTROLADO!! Não, não era possível uma coisa dessas!!! Abri o Espasmos e lá estava ele...TO-DO-FER-RA-DO! Nessa hora já fiquei imaginando a carinha de Mila quando soubesse as minhas proezas no nosso blog... (pois é, eu já estava toda borrada! E as pregas? Todas soltas, evidente!!!!).

Nisso, magicamente, Milinha aparece (ai, medooo). Fui “correndo” avisar do problema e pedir socorro, já que ela entende bem mais do que eu de html...

Anne: MILAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAA
eu literalmente F*** o espasmos
ahsuahsuhausuas
me socorre

Mila: que acontece???

Anne: meu deus, eu f*** tuuuuuuuuuudo
tava mexendo no blog teste
pra achar um template pro chá
mas o chá tava aberto
F*** O TEMPLATE DO CHÁ
depois sem querer não sei como F*** O DO ESPASMOS
hasuhasuhuashuas
tá tudo ferrado
eu f*** com tudo
SO COR ROOOOOOOOO

Claro que, como toda boa amiga, a Mila e a Flavinha estavam, ambas, morrendo de rir da minha cara. Eu me achando uma besta, toda estressada (perceberam isso pela linguagem culta do diálogo acima, não?) e elas rindo até não querer mais. Disseram que o jeito que contei é que foi engraçado, pois é... eu não vi graça nenhuma!

Anne: q CA RA LE OOOOOOO
OLHA O CHÁ Q P**** Q TÁ

Mila: tu ta que ta hoje heim?

Anne:haushaushuahsuahushaus
acho q a cabeça tá enfiada no c*
só pode

Mila: já pensou em fazer faxina nestas horas???
lavar privadinhas????

Anne: só se for pra enfiar a cara dentro
e apertar o FLUSH

Flá: kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


Anne:kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
eu só faço cagada jesus
jesuissssssss

Flá:Huahuahuahuahuahua (aparentemente, Flavinha só conseguia rir... )

Mila: se fosse eu era vomitada
pensa pelo lado bom
hauhauaahua

Bom, como eu disse, eu estava arrumando a carinha nova do chá no blog teste. Nisso entra Flavinha e pergunta... (Lucy in the Sky era ela, achei melhor preservar o apelido porque me pareceu combinar bem com o momento... Flavinha e seus nicks exóticos!)

Lucy in the Sky: anne, tu tava mexendo no blog teste????
acho que caguei alguma coisa se vc mexeu
kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk


Sem contar que, no meio tempo, eu e Mila arrumando o Espasmos...ela arrumando e eu desarrumando a arrumada dela, sem saber...

Anne: q merda viu
nao sei nem como q consigo essas

Mila: isso aconteceeeeeeeee
para de drama
quieta
se naum eu chamo a Anne e ela te passa um corretivo
oras pelotas
agora senta no banquinho ali no cantinho e se chorar apanha
kk&&¨%¨ (isso é Mila xingando...hahaha)

Resumindo, a situação era a seguinte: Mila arrumando o Espasmos, que era desarrumado por Anne, que também estava arrumando o Chá, que estava sendo desarrumado por Flavinha – visualizaram o tamanho do samba-do-crioulo-doido???? Depois de uma madrugada inteira de arruma-e-desarruma e “jesuiiiiis” e “huahuashuahua” e “kkkkkkkk” e #@$%&*, a Mila finalmente conseguiu ressuscitar o layout antigo do Espasmos, eu finalmente consegui recuperar o Chá (deixando aquele verde-abacate de antes, sob protestos dos meus queridos amigos, que acharam um horror) e a Flavinha finalmente conseguiu parar de rir... e, como a merda já estava feita mesmo (e mais do que cutucada e fedendo pra c******), resolvemos mudar logo tudo de uma vez – e o resultado é esse aqui. Tão vendo? Nem tudo está perdido... cagadas são assim: vêm do nada (no meu caso elas vêm com freqüência), provocam uma sujeira féladaputa, fedem horrores, a gente sua gelado, perde as pregas e morre de vergonha mas, no fim, depois que a gente limpa (e dependendo do monte, às vezes demora...) vê que nem foi tão ruim...

Créditos pra Flavinha, que arrumou esse template fofo, eu amei. No fim das contas fiquei até feliz de ter cagado tudo, no bom sentido, claro...

- Anne -  

Imagem: Deviant Art

segunda-feira, 26 de maio de 2008

It's a Kind of Magic...

Esta é a história de como uma menina pode ser transformada em um cogumelo cabeludo por uma bruxa malvada...

Sempre impliquei com o meu cabelo liso. Meu sonho de consumo mais ardentemente sonhado era uma cabeleira cheia de cachinhos toin-oin-oin balançando ao vento, sem lenço e sem documento... e foi por isso que, aos 13 anos, de posse de uma cabeleira castanha com mechas douradas e franjinha (ounnn!), decidi (pára tudo!) fazer uma permanente.

Sentei toda eufórica na cadeira da cabeleireira e expliquei direitinho o que eu queria. “Me deixa aí com o cabelo igual o da paquita fulana de tal” (sim, porque quando eu tinha 13 anos a Xuxa estava no auge e tinha uma paquita que me deixava com ódio, tão bonitos eram os cachos dela – e é claro que eu não vou dizer quem é, porque a intenção desse texto não é resgatar das sombras alguém cujo cabelo me causou o maior trauma capilar da minha vida, rá!). A vontade de ter cachos era tanta que nem me lembrei que essa dita cabeleireira era a mesma que tinha deixado, uns 3 meses antes, o cabelo da minha mamis, originalmente castanho e liso, preto e sarará... quando o que ela realmente queria eram reflexos loiros!!!

Sentadinha na cadeira, peguei minha revista Capricho, coloquei nos ouvidos os fones do walk-man (naquele tempo MP3 não era nem idéia, e o engraçadinho que me chamar de véia leva um "pedala"!) e, de olhinhos fechados, entreguei minha cabecinha nas mãos daquela psicopata enrustida, sonhando com cachos lindos e novinhos balançando ao vento e com um guri mó gracinha da 7ª série (acima dele, só o Bono Vox) apaixonado pelo meu novo e encaracolado “eu”... depois de um tempo interminável com aqueles bigudinzinhos na cabeça, quase intoxicada por aquele produto mais fedorento que uma bunda mal lavada (é, “bunda” foi um eufemismo), a mulher finalmente me levou pro lavatório, enxaguou meu cabelo, secou e...

- Aaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaahhhhhh!!!

- E aí, queridinha? Gostou?

Jesus me chicoteia... eu havia virado um cogumelo!!!! Pensem em um cabelo encolhido... mah tãããão encolhido, com cachos tããããão pequenininhos que formavam um volume perfeitamente redondo – e provavelmente impermeável – em torno da minha cabeça... eu queria virar a paquita e tinha virado uma bizarria híbrida de cogumelo, Michael Jackson e Valderrama!!!! GARAIOOOOOOOO!!! Caí num choro compulsivamente soluçado (e quando eu choro, eu choooooooro!!!) enquanto a cabeleireira, atônita, tentava me acalmar com água-com-açúcar e palavras de conforto espiritual...

- Tia... aaaahhnn... ahn... m-me diz, p-pelo ahnnnn-mor de Deus, ahnnn... que eu t-tô vendo, ahnnn... c-coisas...

Não, eu não estava vendo coisas (ou pior, estava, porque a “coisa” em questão era eu mesma, a coisa mais medonha que eu já havia visto)... a mulher, pra me acalmar (e vamos admitir, pra tentar me deixar menos parecida com o Valderrama) fez uma escova no meu cabelo e, em meio intermináveis “ahnnnn, ahnnnn, ahnnnn...” voltei para casa (de onde definitivamente eu não devia ter saído naquele dia). Fui consolada pela minha mamis e pelo resto da família, matei 3 dias de aula, me escondi até do cachorro e, cinco dias depois, me livrei daquela aparência macabra com um corte Joãozinho. Ainda sou apaixonada por cachos, mas decidi assumir a minha cabeleira niponicamente lambida. Pra quem já foi a cara do Valderrama (e, pelamordedeus, ES-QUE-ÇAM que um dia eu contei isso!!), qualquer coisa é lucro...

sábado, 12 de abril de 2008

CRÉU!!!!!!


Créu!!!

Mente vazia, oficina do chifrudo. Quando se trata de MSN, então... Mas, como a matéria-prima desse bloguinho risonho é literalmente coisa de doido, resolvi compartilhar com os nossos “queridolhes amigolhes” a conversa emiessiênica que deu origem ao mais espetacular hit parade de todos os tempos... a VERSÃO CRÉU de grandes sucessos nacionais!! O Petê, lá do Vermelho Carne, e a singela mocinha que vos escreve provaram que tem um talento esmagador pra estragar o trabalho dos outros... Fala sério: esse negócio de “créu, créu,créu, créu, créu” é uma bosta, mas que tá na boca do povo ninguém nega... e se o Rei Roberto já cantou Claudinho e Buchecha e o Caetano fez a sua versão Odara para Um Tapinha não Dói, não se espantem se um dia ouvirem no rádio alguma coisa assim:

A Gal: "ando tão a flor da pele, que qualquer créu desses me faz chorar" (ah, chora não...)
O Roberto: "vc meu amigo de créu, meu irmão camarada" (amigo de créu??! que suruba é essa??!)
Ainda o Roberto: "se chorei ou se sorri, o importante é que um créu eu vivi" (pelo jeito, Robertão é adepto da máxima que créu até quando é ruim, é bom!)
Mais Roberto: “na paz do seu créu meus sonhos realizo e me vejo feliz" (ah, pelo menos ele foi romântico, vai!)
Robertão de novo: "Eu te darei um créu meu bem, e o meu amor também" (Robertão é o rei do créu...)
Cauby: "Conceição... se ela créu, ninguém sabe, ninguém viu" (tá dando na moita, né, Conceição? Safadeeeenha!!!)
Caetano: "às vezes no silêncio do créu eu fico imaginando nós dois" (também, pudera... coisa mais desanimada isso de "créu silencioso", né?!)
O Chico: "créu daquela vez como se fosse a últimaaaa..." (nuuussa, quero nem pensar... põe gelo que alivia, colega...)
Chico again:"Créu... afaste de mim esse Créu... afaste de mim esse Créu" (coitado, esse aí traumatizou... acho que o gelinho não deu certo não...não quero nem pensar onde foi que esse créu entrou, viu?)

Ivete Sangalo: "Créu, créreréu, créréu, crécréu" (sei, fia, qual é esse teu "Pererê" de uma perna só...ou seria um Pererê tripé???)
Bruno e Marrone: "do jeito que vc me olha vai dar créu" (aff... não rola nem um beijinho antes?!)
Elis: "quando olhastes bem nos olhos meus e o teu olhar era de créu" (uhú!!!Essa caprichava no tal do olhar 43, aquele assim...)
A Angélica: "vou de créu, cê sabe" (eu não sei de na-da...tô fora!)
Leandro e Leonardo: "entre créus e beijos, é ódio é desejo..." (péra, deixa eu sair da sala primeiro!!!)
Zezé: "créu mais uma vez comigo, uou, uou, uou...” (ela vai, tá? Mas só porque você pediu com jeitinho, não que você tenha talento pra coisa...)
A Xuxa: "créu, créu, créu, a vida é um doce, vida é créu" (ti bunitinhooo... mas não abusa não que tu engorda e, depois de nove meses, ó o lombrigão...)
Bethânia: "e como eu sou feliz... eu quero ver feliz... quem créu comigooo... vemmm... nanananana..." (ah... um "canguru perneta" paz e amor, que meigooo!!)

Fabio Junior: "nem por vc nem por ninguém eu me desfaço dos meus créus"(percebe-se, queridinho...não é a toa que os casamentos não fazem aniversário...será q vc é tão bom assim nisso?)
Adriana Calcanhoto: "eu perco o créu, eu não acho as palavras"(me diz por onde vc andou, vou evitar esse caminho pq não to afim de encontrar nenhum créu perdido...eu, heim?)
Quem gostou pede créu, ops, pede biiiiiiiiis!!! E, como quem canta seus males espanta, e como este bloguinho é altamente democrático e aberto a pessoas talentosas, fica aí o convite para quem também estiver a fim de estragar a música dos outros: deixe aí nos comentários a sua versão créu de algum super sucesso nacional!!! Solta o créu – ops, solta o som!!! (ai, esse solta o créu ficou estranho...)

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Háim????

Quem vende uma coisa deve saber tudo sobre essa tal coisa, certo? Errado. Pelo menos para o vendedor (surdo?? Burro?? Doido?? Todas as anteriores??) da loja de discos onde, semana passada, tentei comprar um CD da Paula Cole.

- Com licença. Pode me ajudar?

- Cooooom certeza. – ele deu um sorrisinho de vendedor super-ultra-mega-safo.

- Então. Tô procurando um CD da Paula Cole.

- Paula Toller, a senhora quer dizer – e, pra enfatizar o TÓ, ele fez uma cara estranhíssima e desnecessária total, com uma boquinha de chupador de laranja.

- Não, não é Toller. É Cole. Paula Cole.

- Sim, foi o que eu disse: Paula Toller.

- Sim, foi o que você disse, Toller. Eu disse: Cole.

- Claro. Tá aqui, ó. Me acompanhe, por favor.

Aff... por pouco eu não desisto do tal CD, mas ele achou, menos mal. Mas... peraí!!! O que era aquilo, uma pegadinha???? Olhei pra ele com meu olhar mais incrédulo e perplexo.

- Péra, péra, péra, péra, péra. Essa aí é a Paula errada, colega. Tô procurando Paula Cole. C-O-L-E. Cole. Aliás, eu já tenho esse CD.

- Cloe?

Putz, afinal, de onde tinha saído aquele cara???? Será possível que ele nunca assistiu Dawson’s Creek????

- Escuta, vc assistiu Dawson’s Creek, não assistiu? Pelamordedeus, fala que assistiu.

Ele riu como quem pensa: “Bobinha”.

- Assisti, lógico.

- Então, criatura de Deus. Lembra daquela música: “I don’t want to wait... lalalá... lalalála... lalá.. lalalalá... lalalalá...” lembra???? (e esses lalalás todos foram executados com uma série de mímicas e caras e bocas... um arraso de performance...)

- Lembro!!!!

- Pois é, é dela. E não vem de novo com esse negócio de Paula Toller, porque ela não entrou nunquinha na trilha de Dawson’s Creek. Quem entrou foi a Cole. Tem ou não tem???

- Agora já sei quem éam... mas... éam.... pois éam, néam... essa aí a gente não tem, não.

Flavinha soltando fogo pelo narizinho graciosamente arrebitado (porque Flavinha não tem “ventas”, que fique bem claro). O vendedor pressentindo nos olhos de Flavinha a sugestão macabra e desconfortável de o que fazer com o tal CD da Paula Toller (nada pessoal, Paula Toller, mas o carinha me tirou do sério). O vendedor perdendo sua última grande chance de permanecer de bico fechado.

- Não serve um CD do Kid Abelha?

Resumindo: desisti de comprar o CD. Baixei as músicas da Cole via e-mule, mesmo. Esse, pelo menos, ainda entende um pouco de digitação... “I don’t want to wait... lalalá... lalalála... lalá.. lalalalá... lalalalá...”

sexta-feira, 18 de janeiro de 2008

Sexta-Feira 13

Era realmente uma sexta-feira 13 e eu havia combinado com uns amigos de encontrá-los em uma festa black pra balançar o esqueleto. Era o quinto ano da facul e eu já tinha até carro (“eu tinha” é modo de dizer, já que o pobre do carango, na verdade, era uma vítima indefesa do rodízio entre mim e meus irmãos), mas o “possante”, apesar de não ser exatamente uma lata velha, também estava longe de ser um Batmóvel... o ponteirinho que marca o nível de gasosa estava quebrado e, como o carro passava de mão e mão igual mulher de vida fácil, era impossível saber a quantas andava o combustível.

Voltando para a tal noite da festa... coloquei minha “RCG” (roupa de comer gente), maquiagem, saltão (para tudo isso existe mastercard), e fui buscar uma amiga que morava duas ruas abaixo da minha, pensando em parar no posto de gasolina para abastecer no meio do caminho. Era por volta de 22h e uns quebradinhos. Havia um posto quase na esquina... estávamos chegando... chegando... e o carro começou a parar... e a pular feito jeguinho... e foi parando... e parou, a uns 100 metros do posto, filho da #$%@!!! Prego de gasolina, e não tinha uma viva alma pela rua... eu e a menina nos olhávamos com cara de “woo-hoo-hoo-a-gente-se-fu” (e agora, Batman???), possuídas de um acesso de riso nervoso... e o tempo passando, e nenhuma de nós com coragem de sair do carro e cruzar aqueles 100 metros pra comprar o combustível, isso nem pelos poderes de Grayskull (nem mesmo com o mega-fodástico cinto de utilidades do Batman eu me arriscaria...)

E foi nessa hora que o tal cara apareceu. No meio daquele monte de gargalhadas histéricas e despropositadas, ouvimos um “toc-toc-toc” no vidro da janela do lado do motorista (e eu juro que se fosse cardíaca tinha enfartado ali mesmo)... mó esquisito... alto pra dedéu, todo de preto... uns cordões de caveira, anelões... umas olheiras... e um sorriso estroboscópico-maquiavélico-psicodélico, típico de devoradores-de-fígados-de-garotinhas-em-prego-de-gasolina... moleque... ali eu gelei (se eu fosse a Dona Anne, diria que perdi literalmente todas as pregas)... e devo ter feito uma cara muito “dããããã”, porque o “exótico” me olhou, compadecido, e fez sinal para que eu abaixasse o vidro. Pensei “se não abrir ele vai quebrar o carro e a negada lá de casa vai me ressuscitar só pra ter o prazer de me matar de novo”... era melhor morrer com dignidade e sem grandes prejuízos, se fosse pra morrer que morresse como uma lady... Abri a droga da porta de uma vez, fiz uma cara blasé e soltei, com a voz menos tremelicante possível: “siiiim?”

Ele perguntou qual era o problema. “Gasolina”, respondi. Ele soltou de novo aquele sorriso e a pérola “hummm... que perigo duas moças sem gasolina no meio da noite...”, e eu juro que vi nitidamente naqueles olhinhos esquisitos as tais “duas moças” transformadas em churrasquinho de gato, “balançando o esqueleto” da forma mais desagradável possível... o cara então se ofereceu para ir ao posto comprar o combustível e colocar no “possante”. Ok, ótimo, “magavilha”, até aí tudo bem. Só que enquanto colocava a gasolina no tanque – e ele fazia isso beeeeeeem lentamente – ele esmiuçava inúmeros casos escabrosos de desaparecimentos, e assassinatos e outros acontecimentos “mimosos” que aconteciam em noites como aquela...

Terminado o “silviço”, o “exótico” olhou pra nós e disse (não, Mila, ele não disse "escute-me", hehehe): “prontinho, mas cuidado com esse pessoal por aí. A gente nunca sabe quando está diante de um psicopata”... agradeci a ele pela ajuda (e a todos os santos, por terem evitado que ele tivesse a brilhante idéia de pedir uma carona), liguei o carango, pisei no acelerador e disparei como se o motor tivesse sido envenenado com gasolina azul. E só nessa hora tive a curiosidade de perguntar as horas para a tal amiga (se tivesse perguntado antes não teria adiantado nada, tal o estado de nervos em que a pobre tinha se enfiado, quase uma catatonia). Fiquei neon quando ela respondeu que eram exatamente doze minutos do dia 14... o que queria dizer que, quando deixamos o “exótico” para trás, a tal sexta-feira 13 também virava coisa do passado...

Que fique bem claro: não sou supersticiosa. Sou capaz de passear em zigue-zague debaixo de uma escada, abraçar um gato preto e sal grosso, só como tempero de churrasco e olhe lá. Talvez por isso a sorte – ou a Lei de Murphy – tenha me escolhido a dedo para passar por essa situação estranhíssima... pelo sim, pelo não, nunca mais deixei de abastecer o carro, nem mesmo depois que aquele famigerado ponteirinho voltou a funcionar... vai que eu dou de cara com o “exótico” outra vez... eu, hein... tá doido...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2007

Fly me to the Moon


Essa história aconteceu em julho de 2000, no dia do embarque para o meu destino nas férias daquele ano. Era por volta de duas da manhã e eu estava no aeroporto, na fila do check in, quando meus olhinhos até então sonolentos e entediados descobriram o cabeludinho lá atrás. Bermudão, chinelo, tattoo tamanho GG na panturrilha, violão a tiracolo, maior jeitão de Humberto Gessinger (e nessa época eu era uma viciada irrecuperável em Engenheiros do Hawaii). Gatíssimo. E embarcaria no mesmo vôo... e para a mesma cidade... e coisa e tal... e pá e pans... entenderam, né?
E foi rolando check in, e embarque, e vuco-vuco, e vuco-vuco, e eu de olho no tal “gateeenho”... todo mundo tomou seus assentos, eu que não sou boba nem nada com radar no olhão aberto para ver se o lugar ao lado do moçoilo estava mesmo vago. E já estava de pé, me preparando pra trocar de assento (e não preciso dizer onde eu ia sentar, preciso?), quando fui, literalmente, imprensada por uma vovó aparentemente inofensiva e seu netinho de oito anos (claramente nada inofensivo). Ela me olhou com aquele sorriso chantagista cheio de doçura e dentes artificiais, bem típico das vovós, e pediu, o mais desprotegidamente possível, que eu lhe fizesse companhia durante o vôo, pois morria de medo de viajar de avião. Que #$&@*%$#... justo na hora em que eu me preparava para consumar o meu plano infalível... mas se aquela velhinha tivesse um treco no avião e batesse as botas, eu ia carregar a culpa da minha volúpia pelo resto da vida, Deus me livre alguém perder sua vovó por minha causa. Paciência. Fiquei.
Não demorou muito para que a vovó se revelasse uma criatura de altíssima periculosidade. Em menos de dez minutos após a decolagem aquela boquinha nervosa se danou a enumerar todos os casos de acidentes aéreos que havia presenciado durante sua vida inteira (e olha que ela já tinha vivido muito)... e juro que não havia mais nenhum vestígio da velhinha que havia me aliciado com aquele tipo de vovozinha indefesa – o rosto se contorcia numa expressão de prazer mórbido, os olhos se esbugalhando, os braços gesticulando, e gesticulando, e gesticulando... e eu me encolhendo na poltrona, achando tudo aquilo realmente muito desagradável. Na melhor das hipóteses, aquela vovó devia ser uma gângster. E ela falava, e o netinho falava, e eu me encolhia mais e mais, e os “causos” não tinham fim, e os dois atacavam a minha bandeja e enfiavam os petiscos dentro da bolsa “para fazer uma boquinha antes da aterrissagem”... e o cabeludinho vendo tudo lá do lugarzinho dele, se lascando de rir, com certeza achando que eu era sangue daquela terrorista. Não adiantava mais nem jogar charme, no way um “gateeenho” descoladíssimo daqueles dando papo pra uma integrante da família Adams.... Diante disso, só o que eu podia fazer era me recolher à minha insignificância e esperar aquela viagem tenebrosa terminar de uma vez.
Assim que anunciaram o desembarque, peguei minhas coisas e capei o gato do avião quase voando, sem olhar para a cara de ninguém – porque o meu desconfiômetro pode não funcionar para algumas coisas, mas para outras é uma beleza... e já ao lado da esteira rolante, esperando pacientemente minhas malas com cara de “quem-não-comeu-e-não-gostou”, senti uma mão me tocar o braço. Gelei. Pelamordedeus, aquela velhinha de novo não... e qual não foi minha surpresa quando me virei e não vi a vovó terrorista ali. Quem era, hein, hein, hein? O cabeludinho, mó sorrisão, dizendo que tinha se divertido horrores, que eu era um anjo de paciência e patatipatatá... ainnn, coisa lindaaaaa... nos apresentamos, trocamos telefone, nos vimos vááárias vezes... e nem preciso dizer que não foi só por causa da tortura psicológica imposta pela vovozinha macabra à singela pessoa que vos fala que essas férias entraram para a história, né? Eh, laiá!!

segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Duro de Matar


Se eu adivinhasse que 500g de ração para gatos me custariam, além de alguns trocados, intermináveis minutos de tortura psicológica, teria certamente evitado aquela fatídica ida ao supermercado.

É claro que eu havia escolhido a fila mais lerda. Enquanto eu elucubrava com meus botões sobre quanto sofrimento é necessário para comprar um pacote de ração em um supermercado em uma ensolarada manhã de sábado, a "madama" que ocupava o lugar atrás de mim desistia de suas compras – abrindo caminho para aquele que estava predestinado a ser o meu algoz.

- Que bonitinho, a gatinha comprando comidinha.

Virei-me, o alerta vermelho já piscando no meu cérebro, o terror começando a se desenhar no meu rosto diante da ameaça iminente. Procurei identificar o inimigo: 20 a 25 anos, provavelmente 1,75m de altura, camiseta estilo sou-macho-pra-caráleo (também conhecida como “mamãe-quero-ser-puta”) mostrando o bíceps, cara de garanhão transbordando testosterona. Esbocei um sorrisinho tão amarelo e murcho quanto uma folha seca. Ele entenderia que eu não estava para papo.

- Qual o seu nome, meu amor?

Pasmem, ele não entendeu. Inventei uma alcunha qualquer e tentei me desvencilhar daquele machossauro em potencial.

- A gatinha tem telefone?

Pai, afasta de mim esse cálice.

- Desculpe, não é nada pessoal. Mas não costumo trocar telefone com desconhecidos.

Ele estufou o peito e fez uma cara que, na sua nada modesta opinião, devia ser uma bomba ultra-mega-blaster-power-sexy.
- Tudo bem, gata. A gente pode dar um rolé pra se conhecer melhor.

Oh, céus, ele me chamou de “gata” outra vez. E que negócio era aquele de dar um rolé? Respirei fundo, contei até 10 e disse, o mais polidamente possível, que não era uma boa idéia. Ele caprichou na cara de “todas se rasgam por mim – i’ve got the power” e disparou:

- Qual é, gata, por que o medo? Você vai gostar.

Ai, ai, ai... Aquele pseudo-galã-canastrão-de-quinta estava esgotando todas as possibilidades de eu não descer do salto – ou melhor, das minhas sandálias havaianas. Nem adiantava explicar que não era medo, e sim o meu sensor "anti-descerebrator-Tabajara" funcionando com força total... Fiquei pensando na melhor forma de reduzir a pó toda a empáfia da criatura mas, na falta de uma idéia brilhante, mais uma vez prevaleceu minha gentileza.

- Olha, eu realmente não quero ofender você. Só que não pode ser, entendeu?

E eu ainda tinha duas pessoas sem pressa nenhuma na minha frente. Tudo isso por um pacote de ração... uma senhora havia deixado o marido esperando no caixa por pelo menos 10 minutos, enquanto tinha ido procurar não sei o quê em alguma gôndola perdida por ali. Por que cargas d’água não sair de casa com a lista de compras pronta? Você não esquece nada, ganha tempo e, eventualmente, ainda pode salvar uma vida. Oh, céus, oh, vida, oh, azar.

Ele desembestou a desfiar um rosário de suas (supostas) qualidades, basicamente resumidas ao culto do próprio físico - coisa previsível diante das cavalares quantidades de suplementos alimentares no carrinho de compras do superboy (realmente, inteligência não era seu forte). Eu, que nos momentos de tensão costumo lançar mão de uma coçadinha básica no lóbulo da orelha, estava praticamente à beira de uma crise de urticária... Foi quando, como um relâmpago, minha mente se iluminou com o perfeito golpe de misericórdia. Revesti-me de toda minha graça feminil, olhei candidamente no fundo de seus olhinhos marombados e, suavemente, pronunciei, quase sílaba a sílaba, a sentença de morte:

- Querido... Gostei de você, verdade. Você é uma gracinha. Só que... sabe o que é? É duro ter que dispensar a companhia de um cara tão interessante, mas eu tam-bém gos-to de me-ni-nas...

O aspirante a He-man me olhou como se eu fosse uma cápsula de suplemento com prazo de validade vencido. "Foi mal, aê", e trancou-se em um mutismo solene. Paguei meu pacote de ração e disparei para o estacionamento antes que algum gesto menos estudado denunciasse meu golpe.

Enquanto escrevo esse depoimento emocionado, regado a compulsivos goles de café amargo e pelando de quente e ao som da voz da Cristina Aguilera profetizando“What a Girl Wants”, penso no poder afrodisíaco que a inteligência masculina exerce sobre minha singela pessoa. E, SÓ PRA CONSTAR, EU GOSTO (E MUITO, DIGA-SE DE PASSAGEM) DE MENINOS, EXCLUSIVAMENTE E SOMENTE. Mas, se em um mundo de predadores cruéis, o ataque frontal é a arma dos fortes, o mimetismo ainda é uma das mais eficazes armas dos espertos...

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

A Saga do Peixe Frito


Alguém aí conhece outro alguém traumatizado com peixe frito?

Caso sua resposta seja negativa, muito prazer, Flávia. A origem do drama vem de longa data: no auge dos meus singelos nove anos, quase fui assassinada por uma posta (eu disse Posta) de peixe frito. Era domingo e a família estava toda reunida em um restaurante lotadérrimo. E eu era uma garotinha fresca. Sempre tive aversão a tocar a comida com os dedos, o que significa que até mesmo o peixe era cuidadosamente destrinchado com grafo e faca (uma prévia das minhas habilidades com o bisturi). As reuniões gastronômicas da minha família nunca foram sinônimo de mar de tranqüilidade... na verdade, mais pareciam reuniões do hospício!!! Foi em meio à barulheira de vozes e talheres que senti aquele troço, que mais parecia um “vergalhão” de aço, estacionar na minha garganta. Esbugalhei os olhos e, com as mãos agarradas ao pescoço, tentei me fazer entender em meio à confusão.

- Gá... gá... gáááá... aa...
- Fala, minha filha. O que foi? – e mamãe continuava distraída com a história de não-sei-quem-fazendo-não-sei-quê-não-sei-onde que meu tio contava (e aumentava).
- Gáááááááá...
- O que foi, meu amor? Quer mais um golinho de refrigerante, quer?
- Gáááááááá...

Eu gesticulava feito uma louca com as mãos ora agarradas no pescoço, ora abanando-se furiosamente no ar, o corpo sacolejando espasmodicamente na cadeira, o rosto vermelho de desespero e raiva por estar morrendo daquela forma tão idiota – assassinada por uma espinha de peixe. A essa altura os “gááááááá” haviam já se transformado em um misto de indignação e luta pela sobrevivência. Eu tinha nove anos e estava prestes a esticar as canelas (abotoar o paletó de madeira, comer a grama pela raiz, ir para a terra dos pés-juntos) pagando o mico do ano no meio de um restaurante abarrotado de gente.

Não sei quanto tempo levei naquela mímica ridícula – o fato é que mamãe percebeu que não era firula e que, definitivamente, aquilo não era vontade de tomar refrigerante... ela olhou para mim e o instinto de preservação da espécie foi incontrolável, assim como o grito que irrompeu assustador da sua goela maternal.

- Socooooooooooooorro! Minha filha está morrendo! Acudaaaaaaaam!

A hecatombe que se seguiu foi o equivalente microcósmico do apocalipse (o que quer que isso signifique). Apareceu gente de todos os lados, incluindo família, garçons, gerentes e curiosos mórbidos doidos pra acompanhar a novela mexicana da “menina que estava morrendo engasgada, tadinha”. As soluções para me resgatar da morte iminente eram mais apavorantes do que a possibilidade de passar desta para melhor.

- Dá farinha para ela, minha filha – e vovó dizia isso despejando uma chuva de farinha de mandioca dentro da minha boca aberta, uma delícia!!! (Notaram o sarcasmo aqui, não???)
- Faz ela comer banana.
- Tragam água. Tem que beber água gute-gute!

E foi uma avalanche interminável de água gute-gute, farinha de mandioca, banana e “gááááááá”... Davam-me tapinhas nas costas na tentativa de me desentalar. O barulho era tanto que não duvido que tenha inclusive corrido um bolão por ali... felizmente havia por perto alguém sensato o suficiente que se lembrou de chamar os paramédicos, que me enfiaram um troço na garganta e retiraram a espinha-vergalhão-pseudo-assassina.

O gerente, com medo de que o incidente manchasse a reputação do restaurante, deixou nosso almoço fatídico por conta da casa. Passei uns longos dias com a goela dolorida, e uns longos anos sem conseguir me aproximar de peixe frito, farinha de mandioca e banana... continuo destrinchando ainda mais meticulosamente a comida com os talheres. A lição? Nunca, jamais, subestime o significado oculto de um “gáááááá”...